domingo, 14 de novembro de 2010

VOCÊ SABE O QUE É PSICOLOGIA SOCIAL?

Tendo em vista o grande receio de nossa sala por esta área da Psicologia resolvemos esclarecer o que é e qual é o trabalho do Psicólogo Social.

Nos cursos de Psicologia é comum encontrarmos acadêmicos dos primeiros períodos dizendo que já escolheram a clínica e que detestam a social enquanto os que estão nos últimos períodos dizem que gostam mais da social. A nossa sala é que apresenta menor número de acadêmicos favoráveis a Psicologia Social. Pensamos que o motivo de tanto desprezo foi a disciplina Psicologia Social, no qual vimos teorias atrás de teorias. Mas esse fenômeno ocorre com muitas outras disciplinas como por exemplo a Existencial Humanista ou a Psicanálise. A teoria é densa, às vezes chata e cansativa, mas a prática é muito atrativa (para alguns).

De início pegamos a tabela abaixo de exemplo:

Corpo docente
Nome do professor
Qualificação do professor
Área de conhecimento
Titulação
Adriano Cordeiro Leite
Tecnologia
Ciências Exatas E Da Terra
Mestre
Alexandre Frank Silva Kaitel
Psicologia
Psicologia
Mestre
Aline Aguiar Mendes Vilela
Psicologia
Psicologia
Mestre
Ana Heloisa Senra
Psicologia
Psicologia
Mestre
Ana Maria Valladao Pires Gama
Educação
Educação
Especialista
Angela Maria Siman
Ciências Humanas
Ciências Humanas
Doutor
Aurelio Alves Ferreira
Filosofia
Filosofia
Mestre
Bernardo Andrade Marcolla
Doutorado Em Letras
Letras
Doutor
Betânia Diniz Gonçalves
Psicologia
Psicologia Social
Doutor
Carla de Abreu Machado Derzi
Psicanalise
Ciências Da Saúde
Doutor
Carlos Eduardo Carrusca Vieira
Psicologia Social
Psicologia Social
Mestre
Cássia Beatriz Batista e Silva
Psicologia
Psicologia
Mestre
Claudia Regina Barroso Ribeiro
Eng. de Produção - Organizações E Instituições
Engenharia De Produção
Mestre
Cristina Moreira Marcos
Psicanálise
Psicologia
Doutor
Edward Neves Monteiro de Barros Guimarães
Mestrado Em Teologia
Teologia
Mestre
Elizabete Beling Caetano da Silva
Educação
Ciências Sociais Aplicadas
Mestre
Eni Ribeiro da Silva
Psicologia
Psicologia
Mestre
Enrique Porta Lopez Puigcerver
Teologia
Teologia
Mestre
Ester Eliane Jeunon
Psicologia
Psicologia
Doutor
Fabiana de Andrade Campos
Psicologia
Psicologia
Mestre
Flavio Duraes
Filosofia
Filosofia
Mestre
Geisa Maria Emilia Lima Moreira
Gerontologia Social
Psicologia
Especialista
Hélio Cardoso de Miranda Júnior
Psicologia
Psicologia
Doutor
Isabela Saraiva de Queiroz
Psicologia
Psicologia
Mestre
João Leite Ferreira Neto
Psicologia Clínica
Psicologia
Doutor
Jorge Franca de Oliveira
Filosofia
Filosofia
Mestre
José Ruiz Guillén
Mestrado Em Teologia
Teologia
Mestre
Junia Dinelli Silva
Ciências Biológicas: Morfologia
Morfologia
Mestre
Junia Moraes Lage e Silva
Psicologia
Psicologia
Mestre
Katia Tomagnini Passaglio
Ciências Biológicas
Biologia Geral
Doutor
Liza Fensterseifer
Psicologia
Psicologia
Doutor
Lucia Efigenia Goncalves Nunes
Psicologia
Psicologia
Mestre
Luciana Kind do Nascimento
Saúde Coletiva
Saúde Coletiva
Doutor
Mara Marçal Sales
Psicologia
Psicologia
Mestre
Marcelo Augusto Resende
Psicologia
Psicologia Social
Mestre
Marcia Mansur Saadallah
Ciências Sociais
Ciência Política
Mestre
Marcia Stengel
Ciências Sociais
Ciências Sociais
Doutor
Maria Auxiliadora da Silva
Psicologia Social
Psicologia Social
Doutor
Maria Cristiana Seixas Villani
Psicologia
Psicologia
Mestre
Maria Cristina M de Andrade
Psicologia
Psicologia
Mestre
Maria da Penha Zanotelli Felippe
Educação Afetivo Sexual
Teologia
Especialista
Maria de Fátima Lobo Boschi
Psicologia
Psicologia
Mestre
Maria dos Anjos Lara e Lanna
Lingüística
Lingüística
Doutor
Maria Madalena Silva de Assunção
Educação
Educação
Doutor
Marlene Buzinari
Mestre Em Psicologia
Psicologia
Mestre
Mirelle França Michalick Triginelli
Psicologia
Psicologia
Mestre
Monica Silveira Barrouin
Psicologia Experimental: Análise Do Comportamento
Psicologia Experimental
Mestre
Myriam Martins Alvares
Antropologia Social
Antropologia
Mestre
Nanci das Gracas Carvalho Rajao
Filosofia
Filosofia
Mestre
Patrícia Pinto de Paula
Ciência Da Informação
Ciência Da Informação
Mestre
Paulo Roberto Borges Seccarelli
Psicopatologia E Psicanálise
Psicologia
Doutor
Ramon Aluane Hipólito
Odontologia - Clínicas Odontológicas - Estomatolog
Odontologia
Mestre
Rubens Ferreira do Nascimento
Psicologia
Psicologia
Mestre
Stella Maria Poletti Simionato Tozo
Ciências: Psicologia
Psicologia
Doutor
Valeria Silva Freire de Andrade
Psicologia Clínica
Psicologia
Doutor
Vera Maria Neves Victer Ananias
Educação
Educação
Mestre
Viviane de Oliveira Baumgartl
Psicologia
Psicologia
Mestre
http://www.pucminas.br/ensino/graduacao/graduacao.php?pagina=17&pagina=3668&curso=85&mostra=docente

Pela tabela vemos que muitos de nossos professores tem uma qualificação ou uma área de conhecimento diferente daquela que trabalha. Então por quê tanto preconceito com a psicologia social 6º período? Será que muitos pensam que esta área só lida com pobres, marginalizados, pessoas de baixa renda, moradores de aglomerados, pessoas em risco social? Esperamos que esse não seja o motivo maior.
             
A Psicologia Social é uma especialidade da Psicologia que lida com a interação humana, que aborda as relações entre os membros de um grupo social. O psicólogo social irá trabalhar com as relações sujeito-sujeito, sujeito-grupo e grupo-grupo. Para compreender como o homem se comporta em suas interações sociais é necessário criar fronteiras com a Sociologia. De acordo com Silva e Pinto (1986), a psicologia evidencia a interação entre determinantes biológicos e culturais das condutas e elucida as funções psicológicas do ser humano enquanto ser que se adapta ao meio. Por outro lado, a sociologia procura realçar as regularidades que existem na sociedade, ou seja, os padrões decorrentes da vida social que determinam a ação e que são observáveis pela recorrência do relacionamento entre as pessoas. Assim, procura articular as regularidades com a ação, percebendo como a estrutura condiciona a acção e como é que a ação produz a estrutura. De modo sucinto, Silva e Pinto (1986) referem que os psicólogos centram a sua atenção nas estruturas psicológicas gerais das condutas e os sociólogos vêem as estruturas como condicionadas pelas dinâmicas de grupo e pelas organizações sociais. Verifica-se, assim, um fosso acentuado entre estas duas disciplinas, pois a psicologia dá ênfase à dimensão individual e a sociologia à dimensão social.
           
“A especialidade de Psicologia Social fica instituída com a seguinte definição:
I - Atua fundamentada na compreensão da dimensão subjetiva dos fenômenos sociais e coletivos, sob diferentes enfoques teóricos e metodológicos, com o objetivo de problematizar e propor ações no âmbito social. O psicólogo, nesse campo, desenvolve atividades em diferentes espaços institucionais e comunitários, no âmbito da Saúde, Educação, trabalho, lazer, meio ambiente, comunicação social, justiça, segurança e assistência social.
Seu trabalho envolve proposições de políticas e ações relacionadas à comunidade em geral e aos movimentos sociais de grupos étnico-raciais, religiosos,de gênero, geracionais, de orientação sexual, de classes sociais e de outros segmentos socioculturais, com vistas à realização de projetos da área social e/ou definição de políticas públicas. Realiza estudo, pesquisa e supervisão sobre temas pertinentes à relação do indivíduo com a sociedade, com o intuito de promover a problematizarão e a construção de proposições que qualifiquem o trabalho e a formação no campo da Psicologia Social (Resolução CFP N° 05/2003, art. 3).

A psicologia social está em todos os campos, é tão ampla e tão rejeitada pela nossa turma. Não estamos tentando “convertê-los”. Só queríamos deixar claro que esta área não está apenas voltada ao trabalho com as classes desfavorecidas ou em risco social. É uma área ESPETACULAR, SENSACIONAL e que pode trazer muitas oportunidades para nós, futuros psicólogos.

PENSEM MELHOR NA PSICOLOGIA SOCIAL!


Referências

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução n°. 5/2003, de 14 de junho de 2003. Reconhece a Psicologia Social como especialidade em Psicologia para finalidade de concessão e registro do título de Especialista. Brasília, 2003.

Silva, A. & Pinto, J. (1986). Uma visão global sobre as ciências sociais. In Silva, A. & Pinto, J. (Coords.), Metodologia das Ciências Sociais (pp. 9-27). Porto: Edições Afrontamento.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Fim de semestre














Viver e não ter ...

             Eu fico

Com a pureza
         Da resposta das crianças                                   
                  É a vida, é bonita
                           E é bonita...


Viver!                                                    
E não ter a vergonha                                             
De ser feliz                              
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...



Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...



E a vida!                                                    
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...



E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...



Há quem fale                                    
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo                                 
Que nem dá um segundo...



Há quem fale                                              
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...



Você diz que é luxo e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...



Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...



Sempre desejada                                        
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...



E a pergunta roda                                                
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

Trajetória do André


Trajetória de curso

André Coimbra Lino de Castro

            Desde pequeno sempre gostei de músicas, tinha mais ou menos dois anos de idade. Quando completei cinco anos perdi a visão, visto um descolamento de retina que ocorreu, dado a toxoplasmose, que minha mãe teve na gravidez e somente descobriu no quarto mês de gestação.
            Com isso, meu lado musical foi aparecendo cada dia. Aprendi o Braille com seis anos e entrei na escola Estadual São Rafael, escola especial para cegos e deficientes visuais. Quando completei sete anos, minha tia me deu de presente de aniversário, aulas de piano, isto é, ela e o meu tio pagariam para mim semanalmente junto com meus dois primos, filhos deles.
            Alguns anos depois, meu pai começou a pagar para mim, já que meus tios mudaram de residência e não puderam mais pagar, o condomínio do apartamento novo era muito caro e tiveram que começar a economizar.
            Fiz tanto o ensino fundamental e médio na escola São Rafael, e com o apoio de meus pais e parentes, tentei vestibular para música. Não passei na primeira etapa e no ano seguinte tentei novamente e passei na etapa específica de música, mas não passando nas provas gerais.
            Tentei no ano seguinte mais uma vez vestibular para música, mas cansado de mais um fracasso, resolvi tentar por mim mesmo, vestibular para psicologia na PUC do São Gabriel.
            Após um telefonema de meu pai dizendo que eu não tinha passado, imediatamente, consegui achar o resultado e vi meu nome na lista dos aprovados, onde me certifiquei que olharam o resultado da lista de aprovados na PUC do Coreu e disseram a meu pai.
            Comemorei bastante e em fim chegou o dia esperado para começar. Nem consegui dormir a noite, tive muita ansiedade para iniciar nas aulas.
            Aos poucos fui conhecendo meus colegas de sala, e rapidamente fiz grandes amizades que juntos passamos com grandes dificuldades e grande esperança que nos próximos períodos o curso ficaria com cara de psicologia mesmo.
            Já no segundo período, o curso melhorou bastante, com disciplinas mais específicas, onde toda sala e eu gostamos da disciplina teoria Existenciais Humanistas I, ministrada pelo professor Alexandre Caetel. As dinâmicas, os textos, a aula de sonho, foram muito legais para a maioria da sala.
            No terceiro período, a disciplina Experimental do comportamento, foi uma das disciplinas deste período que eu estava com um pouco de receio, pois teríamos de mexer com os ratinhos no laboratório. Alguns colegas de classe gostaram dessa disciplina e não tiveram dificuldade em ensinar os ratinhos, novos repertório, sendo oposto de meu grupo que teve vários imprevistos, que desta maneira não possibilitou as atividades esperadas com Luisinho, nosso rato. Contudo, a professora Tita nos ajudou a entender que nem sempre conseguimos fazer com que o ratinho aprenda o que se espera e até comparou o ratinho com um cliente na terapia, que às vezes temos de mudar nossa atitude com o cliente e assim tentar alterar nossa conversa com ele, com a finalidade de ajudá-lo melhor.
            Passado mais um período complicado, já no quarto período, ficando mais apertado nosso curso, a disciplina teorias psicanalíticas I, para alguns foi interessante e para outros nem tanto, me incluo, nos que não gostaram, pois não sou muito chegado nas teorias de Freud.
            No quinto período, a disciplina psicopatologia I marcou nosso período. Gostamos muito das aulas no hospital Raul Soares onde conhecemos algumas histórias de alguns pacientes internados neste lugar. O professor Flávio, era quem fazia as entrevistas com os pacientes, e que ficávamos escutamos para começar entender as funções psíquicas. Essas entrevistas nos ajudaram a fazer o relatório da disciplina psicopatologia I, todas as entrevistas que observamos foram muito interessantes.
            Agora no sexto período, tivemos alteração em nossa grade curricular. Nossa turma está sendo a primeira a cursar a disciplina gestão e cuidado, no início do semestre grande parte da turma teve grandes dificuldades em entender a ementa desta matéria. Nem toda a turma sabia como mexer em blogs, mas com paciência das nossas professoras Valéria e Cássia, percebemos como esta disciplina é e será, de tal importância, pois é ela, que está nos mostrando as novas ênfases do curso, nos ensinou a usar o blog.
            Assim a cada período vamos conhecendo novas disciplinas e cada vez mais se apaixonando com as abordagens e que em minha opinião, está ficando cada vez mais difícil escolher a qual abordagem vou seguir, mesmo gostando muito de Existencial Humanista, ainda quero conhecer outras abordagens, para que no último período, eu esteja mesmo certo qual abordagem me especializarei.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Gestão e Cuidado: Forma e Conteúdo

O pensador, de Rodin


Até então havia uma dificuldade em estabelecer qual era relação entre Gestão e Cuidado. O que se pensava era superficial, mediano, simplório demais que se fizesse perceber a necessidade de dedicar uma disciplina a estes termos e sua conceituação. Os textos eram um tanto complexos, e a tal complexidade não articulava-se as ênfases propostas pela graduação de Psicologia. Mesmo correndo o risco de de traçar uma ariticulação simplista ou superficial. Vamos tentar assim: Vendo um copo d'água, pensei na Gestão e no Cuidado ( insight?!). O copo sendo a Gestão e a água sendo o Cuidado, ou melhor, Gestão é a Forma e o Cuidado o Conteúdo. Em artes forma e conteúdo são motivos de fortes embates. Tema este tratado por Alváro Cunhal em seu livro A Arte, o Artista e a Sociedade,
Na criação artística e na obra de arte, têm de se considerar dois elementos ou aspectos essenciais, em geral mal compreendidos, muitas vezes postos em confronto. Um são os processos formais específicos, independentemente de qualquer intenção do artista de que na sua obra haja ou não haja qualquer outra coisa além dos processos formais. É a “forma” (…). Outro é aquilo que se tem chamado “conteúdo”, compreendido, não com um estreito e sectário significado político, mas como as significações sociais da obra, a mensagem que transmite, a reacção e os sentimentos que provoca nos outros seres humanos e na sociedade em que se integra (Cunhal, 1997, p.29)
Alguns querem privilegiar a forma, dizendo que esta tem a liderança, ela quem manda, ela chamará a atenção para o conteúdo. É o estilo (forma) da escultura que chamará a atenção dos expectadores. É a harmonia das cores da pintura que irá atrair o olhar das pessoas. Sem a forma, a idéia (conteúdo) não significará nada. Sem a forma o conteúdo, mesmo que exista, será invisível ao olhos dos outros, ou ainda, a "má" forma irá subverter toda a idéia de seu conteúdo.  
A forma na arte é um valor do belo, contém um valor estético em si mesma. Na pintura a cor, o traço, a composição, a harmonia, os contrastes. Na escultura os volumes e o seu interrelacionamento. Na música o som nos desenvolvimentos que o caracterizam como som musical. Na literatura a palavra, a linguagem e a sua riqueza intrínseca. Na arquitectura as linhas fundamentais marcando a estrutura da construção» (Cunhal, 1997, p.81).
Posso, então, pensar a Gestão (em psi) como forma que irá estruturar as práticas na instituição, delimitando aquilo que necessite de ordem e planejamento para ser executado. Será maneira pela qual serão traçados caminhos para se chegar aos objetivos desejados pela coletividade. Assim, se me proponho a realizar uma oficina cultural no centro comunitário do meu bairro, devo ter em mente alguns pontos como: estrutura física; espaço suficiente para produção; material a ser utilizado; horários em que poderei trabalhar e receber os interessados; idade dos participantes; adolescentes, adultos ou crianças; entre várias outras coisas, ou seja, devo levar em consideração os processos organizacionais para construir a 'Oficina'.

Outros ainda dirão que o conteúdo é o mais importante do que a forma. Alegando que a forma é efêmera, com importância segundária ou até dispensável. O conteúdo é a essência da arte, sua idéia, o sentimento que deseja se transmitir, a beleza real da obra. Assim dirão que em Van Gogh o importante não é o seu estudo sobre as perspectivas na ilustração de seu quarto, mas o sentimento impresso no seu traçado, a sua intimidade desvelada nos detalhes mínimos de seu leito. Sobre o conteúdo diz Borges:
Quando o artista produz uma obra de arte, coloca nela a sua visão do mundo, sua maneira de pensar e de sentir. Esta maneira de ver as coisas, a espiritualidade do artista (não somente no sentido religioso, mas espiritualidade como a consciência do artista de sua época, de sua vida, de seus valores morais e religiosos) é que constitui o conteúdo da obra de arte. Isto não significa que a obra de arte necessariamente represente a figura do artista, mas sim que a figura do artista está presente no conteúdo (Borges, 200X)
Então, sobre a relação entre conteúdo e Cuidado, poderia voltar ao exemplo da oficina cultural no meu bairro, e pensar além dos aspectos estruturais e organizacionais o seguinte: qual é a idéia central da oficina? Esta idéia se relaciona com a realidade daqueles que participarão da oficina? Como interagir com os participantes para desenvolvermos juntos a proposta? Poderemos criar juntos de maneira que eu não seja apenas alguém que ensina, mas alguém que traz uma idéia e conseguentemente desperte interesses? Compreendo os processo de formação de grupos? Como se dão os processos de formação da subjetividade e as relações intersubjetivas do grupo? Quais fatores sócio-econômicos intereferem na relação dos sujeitos? Serei flexível para entender a demanda? Como poderei relacionar a minha proposta com a demanda que é do grupo? Estes são alguns dos questionamentos que devo fazer levando em consideração a minha interação e do indivíduo com quem pretendo construir. Assim é cuidar do outro

A Gestão será forma pela qual se estruturarão os conteúdos voltados para as práticas de Cuidado. Podendo haver tentativas de se enfatizar uma idéia sobre a outra, mas correndo o risco de se desenvolver algo defasado, medíocre, imcompleto e por conta ineficiente. Se ao elaborar a oficina previlegie aspectos de ordem gerencial e organizacional, talvez acabe por não concluir ou emergir a minha proposta, tornando sua essência inútil ou mero entretenimento, do mesmo jeito, ao priveligiar o Cuidado em detrimento a Gestão, dificulte as minhas práticas e modos de aproximação do sujeito que irá contruir comigo a oficina.

Forma e Conteúdo são indissociáveis na criação artística, quando me proponho esculpir uma estátua precisarei de argila, barro, mármore, para expressar o conteúdo da minha idéia. Se tenho em mente criar um Oficina Cultural no meu bairro, não posso deixar de lado os processos de Gestão, que serão a base para as práticas de Cuidado. E, como já foi dito inúmeras vezes, Gestão e Cuidado se entrelaçam tal como Forma e Conteúdo nos processos de Criação. O sujeito será afetado e também afetará todo o processo no qual está envolvido. Do mesmo jeito que a obra de arte é gerada e gera afetos em seu criador.
 
Quarto em Arles, Van Gogh
 
Com auxílio de:

BORGES, Gilberto André. Conteúdo e Estilo. Disponível em < http://www.musicaeeducacao.mus.br/artigos/gilbertoborgesconteudoeestilonaobradearte.pdf> Acesso em 03 de nov.2010


CUNHAL, Alváro. A Arte, o Artista e a Sociedade. Ed. Caminho. Lisboa, 1997